Thanatos

No cinema, muitos longa metragens: Invasões bárbaras, Antes que o dia termine, Quatro semanas, Antes de partir, A partida…
A proximidade com a morte de pessoas próximas é uma temática frequente no cinema.
Exemplos de filmes não faltam.
Do grego, thánatos.
No cotidiano, este drama tanatológico sai da ficção e vira uma dura realidade na maior parte das pessoas.
Em meio às circunstâncias deste cenário, manifestações, indícios, pressentimentos…
O coração bate consoante à sinalização de uma provável iminência da partida final.
Nestes momentos de convivência com o suposto viajante, um ar diferenciado.
Um misto de melancolia com a oportunidade de poder estar ali ainda para acertar alguma pendência ou desentendimento.
Instantes em que a vida se enobrece de grandeza, ganhando outra conotação e notoriedade.
Restrições variadas de outrora acabam se convertendo em uma deliberação.
O momento assume sempre um ar de ultimo instante.
Um extremo paradoxo de leveza e despojamento se misturam com uma dor existencial.
Metaforicamente em uma peça teatral, onde literalmente nos deparamos com a vida real, é como se estivéssemos vivendo o epílogo: hora do desfecho.
Despedidas transitórias ganham ar de adeus.
E nesta incerteza da vida, a de não sabermos exatamente se, de fato, será o ultimo suspiro, vivemos este instante com um ar de angústia.
Sinestesias variadas: o toque das mãos, a temperatura da pele, o olhar mais detalhista, a audição mais atenciosa…
É uma explosão de sentimentos.
Inevitável o derramamento de lágrimas que, não necessariamente, são explícitas. Às vezes, elas saem secas.
Viver é isso…
Alimentamos de sinais, que nem sempre se consumarão em fatos.
Um dia chegamos, noutro partimos.
O ponto exato de quando estes dois fenômenos se efetivam é um mistério.
Uma limitação inerente a nossa condição de humanos, a de não sabermos do futuro.
Porém é algo que vai ocorrer com todos nós.

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Lacunas

Com os pés descalços, uma longa estrada pela frente

Despedidas convertendo-se em adeus

Casas em ruínas

Hiatos

Lentidão acelerada

Rachaduras nas paredes

Frestas se abrindo

Mentiras emergindo das gretas

Descrenças nas verbalizações

Explicações sem persuasão

Chaves enferrujando

Portas cerradas

Frivolidades

Encontros impessoais

Palavras emudecidas

Ecos de silêncio

Serenata sem cantor

Aurora sem aubade

Pensamentos evasivos

Diálogos com o tempo

Olhar introspectivo

Claridade na penumbra

Luz ofuscada pelo céu nublado

Visitas desmarcadas

Lágrimas secas

Notas desarmônicas

Orfandades…

Acertos, desacertos

E na contramão… passos continuamente descontínuos.

Comunicação

O tempo todo devemos nos comunicar.
A interação com outras pessoas é algo imprescindível no mundo em que vivemos, sobretudo no meio globalizado.
Isso não é um problema para um ermitão, um silvícola…mas para pessoas que vivam da informação isso sim é necessário.
O meio familiar também exige isso de nós, posto que devemos conviver com pessoas consideravelmente difíceis, sobretudo em eventos onde, teoricamente, deveria se ir para distrair, para jogar conversa fora, para relaxar.
Entretanto, o ato em si não é tão simples para qualquer pessoa, exige todo um conhecimento prévio com quem se esteja lidando.
Conhecer as palavras certas a serem ditas a cada indivíduo é algo nada simples.
A simplicidade da comunicação pode tornar-se complexa numa fração de minutos, segundos.
Problemas já se iniciam antes mesmo da fala, através da linguagem corporal, seja pelo sorriso amarelo, as palavras proferidas dos olhos, o aperto das mãos…
A verbalização pode exigir tantos detalhes que, às vezes, a melhor resposta é o silêncio.
Acontece que em muitas situações, não tem como se fugir, e não nos é dada a possibilidade de fazermos um esboço, rascunho ou planejamento do que será dito.
Entender e racionalizar que existem pessoas de todo o tipo, e que todos têm sim direito ao exercício das suas individualidades já é um bom começo para aceitar, com serenidade, situações com as quais não concordamos.
Às vezes, devemos beber água sem ao menos estar com sede.
É ir vivendo pra perceber isso.
Nesse jogo da comunicação, surgem também algumas curiosidades inusitadas e intrínsecas.
Há pessoas que preferem conversar por email, telefone e/ou mídias das mais variadas formas e conseguem se expressar melhor que através do dialogo direto e tradicional.
Isso é válido?
Sem dúvida alguma. Pensando-se numa premissa maior, em que o mais importante seja transmitir a informação, independente do meio ou canal utilizado, isso sim é plenamente aceitável.
Mesmo assim, eu particularmente prefiro o método tradicional: a conversa.

 

Crenças e curiosidades

No ano novo, recomendação de vestes brancas (é perguntar a um velho médico plantonista para identificar a efetividade deste).
Para a virada de ano, dar pulos em sete ondas… Se a maré estiver baixa, fica difícil ter esta façanha.
Em primeiro de janeiro, grãos de romã guardados no bolso, e no cardápio, lentilha.
Ferradura, e com sete furos. Se identificar no olho mágico uma visita não agradável… É colocar a ferradura atrás da porta, e o visitante vai embora logo.
No mundo cigano, a quiromancia, com a leitura das curvas e linhas das mãos.
Por vários pontos da cidade, anúncios de búzios e tarô…
Em grandes jornais e revistas, a parte exclusiva para o Horóscopo. Nas publicações mais detalhadas, a análise do sol, planetas, combinações das constelações, enfim, uma conjunção de todo um cenário astral.
Preso na orelha, o ramo de arruda. No Rio de Janeiro, hábito super comum.
No exoterismo, a explicação dos fatos emaranhada de duendes, magia…
Aos numerólogos, a análise da vida à partir das combinações numéricas: unidades, dezenas, centenas, e por aí vai…
No mundo árabe, a leitura da borra do café na caneca. Há pessoas que viajam até Marrocos para saberem, antecipadamente, o futuro.
Espalhados pelo país, benzedeiros aos montes.
É…
Cada um com sua fé e com suas crenças.
Respeito às crenças e individualidades.
Como existem tantas maneiras distintas de exercer a fé?
Quantas diferenças no mundo!
O mais curioso de tudo, num mundo de que se diz moderno, é que ainda vivemos sobre conceitos de farisaísmo. Os fariseus estão infiltrados no nosso cotidiano, exaltando a virtude, de forma puramente exterior… Já o coração, cheio de hipocrisia.
Difícil criar critérios de certo e errado.
Não se compete aqui julgar as pessoas, longe disso. Até porque muitas pessoas talvez não tenham tido a oportunidade de conhecer uma religião, bem como a Deus. Mas o dia que conhecerem Cristo, tudo isso perde o sentido.

Voltando pra casa…

No pensamento, ideias, e algumas preocupações inevitáveis com a vida, a família.
Atenção redobrada no trânsito: radares e amarelinhos numa verdadeira operação de guerra. Um descuido… e multa.
Estou na região central de Campinas, em cima do Viaduto Cury, e o trânsito está parado.
Daqui de cima, vejo uma das áreas mais antigas da cidade, povoada (muito provavelmente) no seu início pela proximidade com a Estação Ferroviária.Lugar este que, no início do século passado, era muito mais frequentado e seguro.Aliás, os meios de transportes acabam influenciando diretamente nessa dinâmica de ocupação urbana, e fazem com que o comércio cresça nos seus arredores com o propósito de atender às demandas de pessoas.
A estação era um local em que a maioria das notícias e novidades chegavam.
Ponto de muitas tristezas, alegrias e ansiedades nas chegadas e partidas de pessoas.
Interessante é que muitos frequentavam o local não necessariamente por estarem aguardando algum conhecido, mas também pela curiosidade alheia de quem viajava.
Atualmente na estação, funciona um centro cultural e oficinas de trabalho.
No passado, havia abaixo deste concreto uma praça famosa: o Lago do Cisnes.
Com o objetivo de integrar o centro com a Vila Industrial, extinguiram o espaço para dar lugar a avenidas.
Ainda debaixo deste viaduto, funciona hoje um comércio popular, integrado com o Terminal Central, e em seu entorno se encontra praticamente de tudo que se possa imaginar.
Analisando-se rapidamente a área, percebe-se uma região visivelmente decadente. Uma das mais descuidadas da cidade.
Na verdade, isto é uma tendência natural das grandes cidades no país: a degradação e precariedade das áreas centrais e mais antigas.
Neste momento, a combinação de cores em várias tonalidades vão marcando a despedida de mais um dia de trabalho.
No horizonte, vejo o dia entardecendo.
O sol vai encerrando mais um dia.
Fica a sensação de que ele quer deixar algum recado: de que a esperança não está indo embora. E que, amanhã, a aurora vai marcar o nascimento de mais um dia de vida. De lutas e esperanças renovadas.

Bairro Carlos Gomes

Região distante do centro de Campinas, já na divisa com Jaguariúna.
Um dos bairros mais antigos de cidade, formado por um povoado no local, com um pequeno conjunto de casas remanescentes do período de formação da cidade.
Na arquitetura e fachada das mesmas, a tradução de um passado colonial. Uma releitura do tempo.
No presente, a paisagem vai, aos poucos, mudando e a região sendo invadida pela expansionismo imobiliário: condomínios, chácaras, empresas…
O bairro está dentro do circuito turístico da Maria Fumaça, que sai de Anhumas(Campinas) e vai até a estação(histórica e restaurada) de Jaguariúna nos feriados e fins de semana.
Em parte dos trechos que hoje passam locomotivas a vapor, já trafegou, no passado, vagões pertencentes à Mogiana. O que houve, mais recentemente, foram ajustes em bitolas e no percurso para enquadrá-las num trecho de passeios culturais.
Consta que, até uma certa época do passado, o trem somente passava pelo bairro, mas a estação Carlos Gomes(mesmo nome do bairro) foi feita bem depois, com o propósito de facilitar o escoamento de produtos agrícolas.
Praticamente, eram fazendas que haviam na região, e as influências políticas e locais dos aristocratas foram determinantes para a construção desta nova parada. Logo, sua construção foi mais atender aos aristocratas, do que propriamente ao transporte de pessoas. De certa forma, isso faz até sentido, posto que havia poucos moradores nesta região.
Mesmo assim, é perceptível a formação do povoado nos arredores da estação, influenciada pela proximidade com a mesma.
Isso dentro do contexto de políticas urbanas é natural: o nascimento de vilas/povoados nos arredores de algum meio de transporte(no caso, o trem).
Hoje, além dos serviços turístico e histórico, a estação é o principal ponto em que são feitas restaurações/manutenções dos trens e locomotivas antigas.
Vale a pena fazer um passeio de carro por lá, e conhecer um pouco da história ferroviária e surgimento dos primeiros núcleos urbanos.
É um local, aliás, desconhecido por grande parte dos campineiros.

Terminal Central

No entorno, um aglomerado de vendedores disputando espaços e clientes, além de intermitentes e esporádicos ambulantes.
Estou na região do Terminal Central de Campinas, próximo ao Viaduto Cury.
Se não é a parte da cidade que tem o maior fluxo de pessoas, está próxima de ser, disputando, muito provavelmente, com a 13 de maio e a Glicério quem recebe mais gente ao longo do dia.
O expressivo e muitas vezes tumultuado fluxo de pessoas, sobretudo nos horários de pico, deve-se ao terminal de ônibus urbanos, aonde chegam e partem pessoas para os mais distintos e variados destinos na cidade.
Pela manhã, ainda próximo ao raiar do dia, é perceptível a correria de muitos.
Gente que ainda tenha que, porventura, pegar pelo centro outra lotação ou mesmo percorrer uma longa caminhada até o destino final.
É… A vida de usuários do sistema de transportes não é nada fácil. Além das dificuldades diárias do trabalho, os que se utilizam dos veículos coletivos passam por aventuras e peripécias no traslado: atrasos, inseguranças, baixa qualidade do serviço prestado, congestionamento, alto custo dos passes…
Mesmo na pressa matutina, ao passar pelo Terminal, muitos dão uma pequena pausa para tomar café.
Para a maioria, este é o local do primeiro e rápido lanche da manhã.
Nas arredores, muitas bancas servindo pão de queijo aos montes.
O baixo custo, a localização estratégica ao longo do caminho percorrido, bem como o sabor do mesmo( e sempre quentinho), tornam este o alimento mais consumido no centro, sobretudo por estes transeuntes. Fornos para atender esta demanda não param.
Aos que trabalham nesta redondeza, a maioria se conhece, o que é algo até natural. Há um clima de familiaridade entre os mesmos.
Na parte dos ambulantes, há uma gastronomia peculiar nos lanches.
Vendedores simples, com quitutes e guloseimas das mais variadas opções e produzidas em casa, têm na região o seu trabalho alternativo, a sua fonte de renda.
Outro ponto: em relação aos custos com alimentação praticados na região, observa-se que é fácil passar o dia nas redondezas com gastos bem baixos com comida. Se comparados aos preços praticados pelo resto da cidade, lá é bem barato.
A área é, de fato, bem popular.
Muitos reclamam de violência e falam bastante disso.
O que poucos se esquecem de falar é que nestas cercanias há também muita gente trabalhadora, que luta diariamente para manter, de forma honesta, o seu sustento. Verdadeiros heróis anônimos no teatro da vida, que exige, intermitentemente, o improviso, e que nem sempre dá tempo para ensaio.

Rua Ferreira Penteado

Importante rua de Campinas, incluída no imenso acervo histórico da cidade.
Já teve como um dos seus endereços principais a sede do município.
Assume, ao longo de seus trechos e suas quadras, perfis sociais bastante distintos e extremos.
Desde alguns poucos moradores pertencentes às classes mais altas até os mais desprovidos de praticamente a maior parte dos direitos.
Tudo isso em seus aproximadamente 14 quarteirões.
É um bom exemplo de análise dos contrastes sociais e urbanos na cidade.
Morar nesta rua pode assumir peculiaridades das mais distintas conotações.
Seu início fica exatamente com a Coronel Quirino, em área nobre do Cambuí, finalizando-se no início da Andrade Neves com a tradicional Estação Ferroviária, na velha e mais antiga região central. Nesta região, o entorno é interligado por ruas decadentes e consideravelmente degradadas, caracterizadas por uma boemia secular que existe desde os primórdios de formação da cidade.
Analisando-se de forma geral os principais pontos ao longo desta rua, podem-se mencionar:
-Casa de Portugal, com seus constantes eventos culturais de caráter lusitano, além de outros com perfil mais genérico. A comunidade portuguesa campineira tem neste ponto um excelente local para cultivar e manter suas tradições;
-Mercado Campineiro: este tem tantas coisas para contar e descrever que merece uma crônica especial dada a sua importância;
-Poupatempo e Correios: (com entradas pela Glicério) sempre prestando serviços burocráticos à população;
-Corpo de Bombeiros: atendendo emergências e salvando vidas a todo o momento.
-Palácio dos Azulejos: (entrada oficial atual pela Regente Feijó). Hoje, funciona um centro cultural administrado pela Secretaria Municipal de Cultura, com enorme acervo da história da cidade. Merece uma visita com tempo. Foi neste local que funcionou durante muitos anos a Prefeitura: época dos barões, coronéis e da aristocracia.
Conversando com antigos campineiros…
É inegável que, no passado, ela tivesse um tom mais nobre e influente na cidade que na atualidade.
Curiosidade: sobre o cidadão que dá nome a esta rua, há um detalhe que talvez muitos não saibam. Ele já residiu na mesma, no local que hoje fica o Palácio dos Azulejos, num tempo bem antes mesmo de ser a sede oficial do prefeito. Dessa forma, traços arquitetônicos do prédio, que é inclusive tombado pelo patrimônio cultural, foram mais voltados ao casarão de um aristocrata, do que propriamente ao espaço público e administrativo.
A Ferreira Penteado é, pois, uma rua cheia de antíteses, bem como paradoxos.
Inevitável falar da história de Campinas sem mencioná-la.

Campinas – Bondinhos

Traço marcante na história Campinas.
A cidade teve, por um bom e considerável tempo, este como o principal meio de transporte de massa, sobretudo para fazer o deslocamento entre os seus principais bairros.
Suas ramificações permitiam aos moradores irem por vários pontos da cidade.
Em uma de suas linhas (supostamente a mais longa), poderia se ir, por exemplo, até o distante bairro de Joaquim Egídio.
Detalhe: se muitos acham esta região distante, imagine ainda mais há quase meio século, deslocando-se até lá a uma velocidade bem menor.
Neste ponto final, existe hoje um prédio antigo restaurado, levando aos usuários desta linha no passado a um caminho imaginário aos tempos idos de outrora, eivado de lembranças peculiares e individuais das mais variadas conotações e sentimentos.
Carros nesta época?
Poucos… Isso era privilégio de famílias mais nobres. Luxo da aristocracia campineira (além de alguns emergentes burgueses).
Trânsito? Não era algo a se preocupar…Enfim, nada que se compare com hoje: congestionamento, caos…
Aos eventuais, alternativos e factíveis concorrentes do sistema de transportes, poderia mencionar as charretes, os cavalos … Quiçá algumas motos, dependendo da década de observação.
Em 68, os bondinhos encerraram suas operações na cidade. Supostamente, já sendo influenciado pelo advento enorme de caminhões e ônibus que naquele momento já estavam sendo fabricados há quase dez anos, iniciados anteriormente pela era JK.
Extinguir os bondinhos e abrir-se ao novo, dava às cidades um tom de vanguarda.
A cultura pertinente da época era simplesmente abraçar o novo, extinguindo (às vezes até drasticamente em alguns casos) o passado.
A extinção apagou os bondes da visão, mas não da memória.
Aos moradores mais antigos, saudosismo de uns, nostalgia de outros.
Histórias dos antigos não faltam.
Cada um, por suas experiências e fatos vividos tem o que relatar.
Hoje, ainda há um resquício do passado.
No Taquaral, ainda é possível dar voltas neste veículo coletivo das antigas nos fins de semana.
Trata-se de um pequeno trecho turístico que, normalmente, tem longas filas de entusiastas.
Publico interessado? Todas as faixas etárias, desde idosos até pais que querem mostrar a seus filhos o bondinho pela primeira vez.
Pensar num passado, na era dos bondes, com todos os seus moradores vestidos em trajes típicos e condizentes com a época, é imaginar um período supostamente mais tranquilo que hoje.
Acredito que a evasão do tempo e espaço façam as pessoas, normalmente, a pensarem de forma ingênua num período bem melhor que hoje: menos pressa, menos velocidade, mais tempo para conversas…
Uma vida mais feliz e com mais simplicidade…
E depois de uma reflexão ilusória do passado, o inconsciente parece querer acreditar que não se trata somente de uma miragem, que a época não vivida deve sim, ter sido melhor…

Campinas – Bairro Vila Industrial

Um dos bairros mais antigos da cidade.
Está ligado diretamente ao surgimento da cidade.
O seu processo de expansão e crescimento de forma mais expressiva está ligado à construção das ferrovias Paulista e Mogiana, que foi um marco expansionista dos séculos 19 e 20.
Isso foi concomitante aos primórdios da industrialização do país, no qual Campinas se destacava como a principal cidade do interior paulista.
Num tempo em que a cidade era bem menor, era lá que ficava uma grande parte da periferia, com seu conjunto de cortiços bem famosos, além de ser onde se instalaram os primeiros cemitérios da cidade, bem como um leprosário.
Interessante: a própria estruturação física da linha ferroviária separava a cidade em praticamente dois mundos.
Esta divisão era percebida também no aspecto social.
Conversando com pessoas que já residiam na cidade há muito tempo, mais especificamente em períodos que excedam a mais de meio século, havia um termo muito usado para se indicar o local de residência:
“Você mora de qual lado da estação?”.
O próprio questionamento já assumia um caráter discriminadamente social.
Ao longo do tempo, foram sendo erguidas casas no bairro, de moradores que vinham de outras regiões do país e imigrantes, com destaque especial para os italianos, portugueses, sírios e libaneses.
Aos que já vinham do interior, muitos estavam abandonando o campo para viver na cidade, deixando assim a vida rural e agrária.
Começa então a crescer uma cidade que depois se destacaria no cenário nacional. É também, evidentemente, neste período, um dos primeiros e pequenos ciclos de êxodo rural no país.Com este crescimento, foi surgindo, assim então, o bairro.
Estudando com detalhes a história da cidade, constam nos autos da mesma, que a construção de casas neste bairro foi por uma iniciativa maior da aristocracia local, que eram os detentores dos poderes políticos e econômicos da época.Neste grupo, destacavam-se alguns pequenos empresários emergentes, que começavam a montar fábricas na cidade. Mas quem dominava, de maneira mais imponente, eram os grandes cafeicultores, que tinham sua riqueza obtida do chamado Ouro Verde.Estes aristocratas construíram as casas e, evidentemente, as vilas para alugar as mesmas aos operários da construção ferroviária e suas famílias.
O projeto imobiliário incluía casas com tamanhos variados para abrigar famílias de tamanhos distintos.A arquitetura seguia uma tendência do que era popular para a época. Em sua grande maioria, eram de somente um andar, mas havia algumas maiores de dois andares: os sobradinhos.
Dentre as vilas construídas, três merecem um destaque especial: a Manoel Dias, Manoel Borges e Vila Riza.
As Vilas Manoel Dias e Manoel Borges resistem ao tempo, e tem se discutido o tombamento cultural desta área na cidade, bem como uma eventual revitalização deste reduto; ao passo que a Vila Riza, já não existe mais.
Os seus poucos vestígios e ruínas, quando no momento de sua total destruição, deram espaços à construção do Terminal Ramos de Azevedo.Andando recentemente pelas ruas da região, pude tirar algumas conclusões…
Numa comparação histórica: se olharmos o bairro com um foco social, e de forma mais generalista, creio que o bairro continue se mantendo, ao longo das décadas, com uma mistura de famílias de classes sociais populares, misturada com a dos emergentes.
Sobre o trânsito…Este já se “modernizou”, tornando-se caótico nos horários de maior fluxo de veículos.
Neste aspecto, o sossego do passado dá lugar ao agito da vida contemporânea.
Destaque especial para a Rua Sales de Oliveira, que é a mais conhecida do bairro. Esta, no final do dia fica bem congestionada.
Nas construções atuais, percebe-se uma mistura do antigo e do novo, sem muita preocupação real, na prática, com o aspecto patrimonial.
É possível ver nitidamente casas decadentes, que resistiram ao tempo, mas que aos poucos vão sendo demolidas pela expansão imobiliária, com os conjuntos residenciais. Conjuntos estes que são erguidos sem uma completa análise dos seus impactos na região, como o reflexo imediato no trânsito, entre outros.
Saindo um pouco do bairro, e pensando mais na cidade, creio que algo também não tenha mudado.
A separação da cidade em micro regiões e em classes sociais. Esse conceito está enraizado, perceptivelmente, na essência da cidade, desde seu nascimento. Basta estudar a formação urbana e facilmente se chegam a estas conclusões.
Campinas não é uma cidade que integra suas classes sociais. Há grupos sociais vivendo em mundos separados e completamente desintegrados:um enorme arquipélago urbano.
O nascimento da linha ferroviária, que separou a cidade em dois mundos lá no passado, foi tomando formas diferentes nas décadas seguintes, mas com a mesma tendência e princípio de separação social.
Isso pode ser percebido em décadas seguintes quando a cidade ultrapassou a Rodovia Anhanguera, depois a dos Bandeirantes… Outro fato similar e também recente de urbanização: a expansão da Santos Dumont.
Resumindo: estes marcos serviram mais uma vez para separar a cidade e, lógico, as pessoas.
Diante de tudo isso, acredito que seja muito complexo pensar, hoje em dia, em qualquer tentativa de integração desta cidade que sempre foi, histórica e essencialmente, desintegrada.

Voltando pra casa…

No pensamento, ideias, e algumas preocupações inevitáveis com a vida, a família.
Atenção redobrada no trânsito: radares e amarelinhos numa verdadeira operação de guerra. Um descuido… e multa.
Estou na região central de Campinas, em cima do Viaduto Cury, e o trânsito está parado.
Daqui de cima, vejo uma das áreas mais antigas da cidade, povoada (muito provavelmente) no seu início pela proximidade com a Estação Ferroviária.Lugar este que, no início do século passado, era muito mais frequentado e seguro.Aliás, os meios de transportes acabam influenciando diretamente nessa dinâmica de ocupação urbana, e fazem com que o comércio cresça nos seus arredores com o propósito de atender às demandas de pessoas.
A estação era um local em que a maioria das notícias e novidades chegavam.
Ponto de muitas tristezas, alegrias e ansiedades nas chegadas e partidas de pessoas.
Interessante é que muitos frequentavam o local não necessariamente por estarem aguardando algum conhecido, mas também pela curiosidade alheia de quem viajava.
Atualmente na estação, funciona um centro cultural e oficinas de trabalho.
No passado, havia abaixo deste concreto uma praça famosa: o Lago do Cisnes.
Com o objetivo de integrar o centro com a Vila Industrial, extinguiram o espaço para dar lugar a avenidas.
Ainda debaixo deste viaduto, funciona hoje um comércio popular, integrado com o Terminal Central, e em seu entorno se encontra praticamente de tudo que se possa imaginar.
Analisando-se rapidamente a área, percebe-se uma região visivelmente decadente. Uma das mais descuidadas da cidade.
Na verdade, isto é uma tendência natural das grandes cidades no país: a degradação e precariedade das áreas centrais e mais antigas.
Neste momento, a combinação de cores em várias tonalidades vão marcando a despedida de mais um dia de trabalho.
No horizonte, vejo o dia entardecendo.
O sol vai encerrando mais um dia.
Fica a sensação de que ele quer deixar algum recado: de que a esperança não está indo embora. E que, amanhã, a aurora vai marcar o nascimento de mais um dia de vida. De lutas e esperanças renovadas.

Andando pelo centro de Campinas

Chego de manhã no terminal de ônibus, depois de sair de casa bem cedo, enfrentar um bom tempo no ônibus. Inúmeras paradas para o sobe e desce de passageiros.
Finalmente, estou na região central de Campinas.
Neste novo dia que se inicia, olho pro relógio. É bem cedo.
No comércio, algumas portas começam a se abrir…
Nas padarias e lanchonetes, já abertas, um movimento considerável de pessoas tomando café … uns meio apressados, outros mais sossegados, com condições de analisar o movimento das pessoas.
No cardápio, o que mais se consome: de bebida: café e pingado; para comer: pão na chapa e principalmente pão de queijo.
De todas das cidades que já conheci, nenhum lugar come tanto pão de queijo quanto aqui. Talvez pela praticidade para quem vende (dado a industrialização deste produto). E pelo preço para quem compra. Combinado, naturalmente, com o paladar… ele é disparado o produto mais consumido na cidade para quem toma café na rua.
Pelas manhãs, é muito comum se perceber nos apressados levando um pacotinho. Com um, dois, três…
O corre corre é para a maioria, mas nem todos estão neste ritmo frenético, estes vão as padarias como um ritual, com tempo para conversar com pessoas conhecidas, ler um jornal, conversar com os balconistas… Nestes casos, o café é um mero pretexto para a socialização.
No centro, posso citar com certeza vários pontos em que isso é perceptível.
Andando pelas ruas, vou notando o movimento das pessoas… As bancas de jornal, já abertas bem cedinho, sempre param os curiosos com as notícias do dia. A leitura é bem superficial, somente nas manchetes e nos curtos fragmentos que algumas matérias deixam. A relação entre os que param nas bancas e efetivamente compram um jornal é quase insignificante. Nos sinais, e, provavelmente, de olho neste perfil de leitores de manchetes ou de temas bem superficiais, jornaleiros distribuem jornais gratuitamente.
Acredito que em cidades maiores, haja até mais grupos atuando nesta linha, em que o faturamento dos grupos de comunicação está associado ao marketing feito nestes periódicos.
No trânsito, a correria e caos de sempre, com os motoboys sempre achando que a pressa é só deles, e a prioridade também. Colocam em risco a vida de todo mundo, sem nenhuma prudência.
Em pontos estratégicos das esquinas, sempre um amarelinho, à espera iminente de um vacilo dos condutores para aplicar suas multas, de caráter único e exclusivamente educacional… Pelo menos é o que dizem.
Na porta de empresas de recrutamento, um drama coletivo cada vez maior, filas e filas em busca de nova oportunidade. No CPAT então…
Na catedral, um movimento contínuo de entrada de pessoas… Muitas vão buscar forças do alto para a batalha diária da vida… outros, num ritual religioso e de fé vão para a missa matinal, outros para o terço e outros, simplesmente para adorar o Santíssimo e/ou venerar Nossa Senhora da Conceição.
Na 13 de maio, gente que já levantou bem mais cedo que eu, com seu comércio itinerante e livre na rua. A maioria, peruanos e bolivianos… um tanto que receosos para uma conversa mais detalhada, devido a suposta ilegalidade no país. O tempo de permanência destes ambulantes vai ao limite do permitido pela SETEC… Até os últimos instantes permitidos fica a esperança de vender para os apressados que passam pela rua.
De tudo isso, posso dizer, a vida começa bem corrida na cidade. E na maior parte dos casos, a pressa é perceptível.
É o medo de perder algo que está sendo segurado por um fio, é o eficiente transporte que mais uma vez atrasou e este atraso deva ser compensado com passos mais largos…
Com tanta pressa, não tem nem como ter espaço pra reflexão, é um ritmo frenético imposto pela vida, que simplesmente diz às pessoas bem cedo: “Levanta e vai”.
As pessoas vão, e sabe se lá como vão.
Na conversa dos cafés, um tema genérico são os problemas cada vez maiores. É um pessimismo generalizado e crescente. A sensação negativa é facilmente notada, mas algo curioso vem de tudo isso.
E daí vem uma pergunta? Se tá tão difícil e adverso assim, por que as pessoas, na sua maioria, não param? Como este negativismo não paralisa?
Creio que o motivo seja uma esperança coletiva, muito supostamente até mesmo inconsciente, que muitas vezes não é nem mesmo verbalizada ou sentida pelas pessoas, mas com força suficiente para nos empurrar pra frente. Num momento em que já nem sequer temos noção se há energia e força. Num momento de total fadiga mental.
Uma energia mínima que nos faz lutar por mais um dia.
Um impulso maior, da vida, capaz de não nos deixar que fiquemos parados, mesmo que as condições externas sejam adversas, hostis…
Cada um, dentro de suas experiências de vida, pode manifestar esse empurrão de várias formas.
É o impulso de Deus que nos move, que nos faz ter fé que algo de melhor possa acontecer, mesmo que nos arredores não haja nada dando sinais disso.

Sentimentos positivos

Ter fé é algo necessário e extremamente imprescindível na nossa vida.

Fundamentalmente, ela não requer que tenhamos elementos favoráveis para que ela se torne realidade.

Imagino uma vida sem este ingrediente: um vazio completo, um mar de descrenças. 

Encontrar-se num estágio como esse na vida… Creio que já seja estar morto, mesmo com o sangue correndo pelas veias. Algo forte e determinante o suficiente para jogar uma pessoa num completo estágio de letargia. 

Na literatura, esta corrente de céticos tem se mostrado presente ao longo de, praticamente, todos os escritos dos quais se têm registro.

Iniciando-se pela Bíblia, temos o livro das Lamentações, ainda no Antigo Testamento, que já abordava esta temática.

Os Salmos, em alguns momentos, também tratam isso, posto que descrevam também sentimentos tipicamente humanos.

No período do Romantismo, segunda fase, temos o Mau do Século.

Já no final do século XIX e início do século XX, temos os niilistas. Em paralelo e, de certa forma concomitante, haviam os positivistas. Acreditavam que tudo deveria ser provado pela ciência, algo extremamente oposto ao conceito de fé. 

Bom… Estes são somente alguns exemplos. 

O lirismo, eivado da descrença, assume manifestações das mais distintas formas.

Desapegar-se destes pensamentos negativos…

É o que todo indivíduo deveria procurar, a todo custo, por mais que o mundo possa tentar, intermitentemente, provar-nos o contrário. 

É preciso acreditar… 

Isso não significa tomar o caminho da ingenuidade.

Devemos sonhar…

Mergulhar na magia de que somos sim capazes de conseguir algo, mesmo que nossa condição de humanos nos limite em alguns aspectos.

Este sentimento otimista deve estar presente na nossa mente. 

Ele é o combustível que sustenta-nos constantemente de energia, dando-nos suporte para enfrentar as adversidades e perdas inevitáveis ao longo da caminhada.

Nutrir o coração de esperanças…

Forma de tornar-nos vivos e confiantes de que algo pode ser sim possível, alcançável.

Vida

Compreender, explicar e viver a vida em plenitude: algo não muito fácil.Inebriar-se no desconhecido do futuro, onde existam mistérios e incertezas quanto ao simples minuto seguinte que viveremos.
Isso pode se tornar algo complicado para quem não tem fé.
Para muitos, a busca incansável e disciplinada por objetivos das mais diversas formas é sempre a garantia plena e convicta de sucesso. E é nesse segmento de mercado que o mundo editorial atua.
De olho em quem quer comprar a ideia do sucesso, inúmeros livros surgem a todo momento. Inúmeros livros vêm com receita completa. Uma verdadeira panacéia que vai resolver todos os problemas e que trará também prosperidade.
Muitos se tornam famosos e rentáveis best-sellers.
Livros que possuem um conteúdo bem articulado de ideias e co m um ritual determinístico que, se seguido fielmente, trará o resultado que cada pessoa almeja, sonha e/ou aspira para sua vida.Isso é algo muito bem trabalhado e explorado pelo mercado editorial.  Entretanto, toda esta ideologia e corrente de pensamento não pode comprovar o êxito, efetivamente, na vida dos que estão buscando este sucesso a todo preço.
Se a meta não foi alcançada já se tem até a justificativa (dos escritores) de que o esforço não foi obtido porque ainda não houve uma dedicação tão exclusiva e disciplinada que se esperava de certa situação.
A temática destes livros omite de forma clara muitos fatores que estão, intrinsecamente, ligados a nossa condição humana.
Assumir que, por sermos humanos, estamos a todo o momento sujeito a erros, falhas, imperfeições é algo que não é abordado jamais nestes livros.
Dizer que somos limitados perante Deus jamais pode ser mencionado.
Falar sobre isso compromete a venda de produtos neste segmento, principalmente os que são mais céticos por natureza. E a ideia do mercado editorial não é essa. É simplesmente, vender.
Numa abordagem ainda mais a fundo, na vida mesmo dos que escrevem os livros fica a ideia…
Será que esta metodologia de vitória está presente na vida dos mesmos?
Conseguiriam estes autores converter toda esta linha de pensamento em algo concreto nas suas vidas pessoais, famílias, etc. ?
Acho que não.
A questão é que a teoria é muito mais fácil que a prática.
A luta pela vida deve ser feita a todo o momento.
Vida é trabalho, esforço, dedicação, alegrias, sofrimentos, derrotas, decepções …
Acreditar que podemos alcançar algo é necessário sempre.
E é o que nos motiva a sempre dar um passo adiante rumo ao desconhecido.
Porém, só não se pode esquecer que a perfeição plena é algo somente pertencente a Deus.
Não somos deuses.
Toda garra e engajamento que dispusermos sobre nossos sonhos e metas, e estes sim são imprescindíveis para o êxito, têm um limite até aonde podemos ir.
Dali em diante somente Deus pode decidir.
Precisamos, pois, de Deus, para realizarmos o que queremos nesta vida.
Somente depois de fazermos a nossa parte, indo nos limites de nossas ações com todo nosso esforço, é que ele pode sim decidir se somos merecedores.
A última ação é Dele.

Mercado Municipal de Campinas

Este sim tem história para contar.
Projetado por Ramos de Azevedo, arquiteto da cidade e que depois se destacou com maior grandiosidade em São Paulo, o Mercado Municipal é um interessante local para conhecer um pouco mais da história de Campinas.
É uma enciclopédia viva.
O mercado possui uma diversidade de comércios e segmentos. Uma imensa quantidade de produtos bem variados num só local.
De uma forma geral, pode se encontrar praticamente de tudo considerado popular.
Além da sua estrutura física interna com seus boxes divididos, a área externa também se integra ao mesmo de forma harmônica. Isso pode ser observado externamente nas bancas de verduras, temperos, flores, frutas, etc. Alguns destes comércios mantêm uma forma de vender seus produtos assim como há décadas passadas.
Em algumas situações muito específicas, é como se a forma de comercializar, bem como os produtos vendidos, estivessem parados no tempo.
E põe tempo nisso!
No segmento de tabacaria, destaque especial para a banca que vende fumo de corda: um hábito que atravessou gerações, e o canivete antigo também. Ambos faziam parte de um ritual antigo em que meu avô preparava seu cigarro de palha em paralelo com as conversar e casos que ia contando da vida. Lá também se acha o rapé, produto cada vez mais raro. Tudo isso faz lembrar bastante a época em que o ritmo das coisas era mais devagar, sem a pressa de hoje.
No comércio de especiarias, é possível encontrar temperos para boa parte das receitas gastronômicas de hoje. É um local excelente para pessoal que busca ingredientes um tanto que raros para o preparo de pratos, doces, carnes…
Para quem busca a cura de doenças por meio da fitoterapia, pode ir numa banca que vende uma vasta lista de plantas medicinais. Na mesma banca, pode ser obtida gratuitamente uma lista de indicações entre os principais problemas de saúde das pessoas correlacionados com as plantas que seriam recomendadas para o respectivo tratamento.
Aos que gostam de pescaria, há entre 2 ou 3 bancas em que se podem encontrar produtos relacionados com a pesca.
As pessoas que gostam de usar chapéu têm disponíveis uma loja em que há uma variedade enorme de produtos. Em Campinas, lembro-me somente de outras duas ou três lojas que vendiam produtos similares, mas isso não é no mercado.
Diferentes tipos de pimenta têm endereço numa banca, que praticamente vende somente este tipo de produto. Neste caso, praticamente se acham as mais conhecidas e famosas do mundo, como Habanero, Jalapeña, Bhut Jolokia, além é claro das nacionais: Dedo de Moça, Murupi, Malagueta, Biquinho, Cambuci…
Bancas com produtos japoneses e coreanos estão presentes também, cada uma delas representando seus típicos e respectivos produtos.
No mercado de carnes, encontra-se praticamente de tudo: peixes, aves, suínos, bovinos etc.
Além dos já citados, há muitíssimos outros que aumentariam, e muito, a lista de opções que o mercado oferece: sucos, laticínios, queijos, doces, pamonhas, salgados…
Mais que citar as opções que o mercado oferece, o interessante mesmo é ir conhecê-lo. Isso para quem ainda não foi.
E aos que já foram um dia, recomendo que voltem para uma nova visita.
Acho que vale a pena.
É mais uma oportunidade para os que queiram conhecer melhor a cidade de Campinas.

Falando da Vida

2015: ano que já começou, e pequena parte deste já foi consumida. Carnaval já ficou para trás. A vida não pára. O relógio pode até parar, visto que tem bateria, mas a vida não.
No horizonte deste ano, um cenário de incertezas por diversas formas: problemas de falta d’água, inflação aumentando, desemprego crescente, dólar e gasolina nas alturas …
O que se percebe nas pessoas é uma notável apreensão quanto ao que nos reserva este ano. A mídia fala disso por meio de seus mais distintos canais de comunicação. A descrença no governo, na economia, na segurança pública … Enfim, o pessimismo está muito grande.
E diante disso muitos questionam. O que será deste ano?
Problemas para todo lado!
É preciso entender que ele é parte de nossa vida. Seja ontem, seja hoje, eles sempre existiram. Ele é um personagem coadjuvante na vida da maioria das pessoas, e dependendo de uma situação mais crítica, ele pode vir a se tornar o protagonista. Cabe a nós não deixarmos que o mesmo se torne o personagem principal de nossa vida, lutando contra isso a todo momento.
Se compararmos as crises pelas quais passaram a humanidade há 20, 30, 50 anos … Haverá, naturalmente, mudanças e aspectos distintos relacionados a ele, como tecnologia, hábitos e culturas específicos de cada geração. Porém, agora ou antes, a essência não mudou: dor, sofrimento, decepção… De alguma forma estes componentes estavam presentes nas vidas das pessoas.
Problemas mudam somente de lugar, de tempo, de circunstância, de endereço.
Agora sob o ponto de vista otimista, creio que eles existam para que cresçamos como pessoas.
São nos problemas que estão as grandes oportunidades. Foi à partir deles que as melhorias e avanços da humanidade vieram. Se tudo fosse perfeito desde o início não haveria nenhum fator que motivasse a mudança.
A condição humana para evoluirmos como pessoas está, inevitavelmente, ligada a nossa forma de encarar os problemas.
A complexidade de alguns deles exige até mesmo mais cautela e análise prévia para lidarmos com os mesmos, antes que tomemos as medidas para saná-los.
Mesmo que não consigamos resolver todos, devemos estar sempre aptos e dispostos a resolvê-los.
Vida é luta!
Dessa forma, mais que tentar entender o que vem neste ano de fatos determinantes na nossa vida, é preciso tentar entender algo maior, que é  a vida, com seus mistérios, entrelinhas, desafios, oportunidades etc…
Entender como lidar com cada problema, e como ser tolerante com as coisas que, infelizmente, não conseguimos mudar. Desistir jamais. Lutar sempre.

Paternidade

Forma surpreendente de manifestação de amor.
A cada instante, um ato comovente e emocionante da criança.
Num universo de pureza e sinceridade delas, presenciamos a todo momento, gestos de ternura e carinho.
O fato de não ter se envolvido ainda plenamente com o mundo, com suas relações sociais e todas as suas armadilhas, dissimulações … coloca as mesmas num patamar superior ao nosso.É algo espiritual … divino.
Há sem dúvida, um universo perfeitamente harmônico entre elas e Deus.Esta percepção é visível nos pequenos gestos que vemos ao conviver diariamente com elas.
Esta energia é irradiante, e nos influencia positivamente.
Na condição de pai, sentimos a necessidade de ser melhores…
A responsabilidade de dar exemplos bons com nossos atos faz-nos crescer espiritualmente também.
Creio que somente com um comportamento condizente ao que ensinamos é que a educação dada a elas seja mais efetiva.
Isso não é nada fácil.
Algo bem árduo de se alcançar, e que torna mais complexo ainda na medida que estivermos mais envolvidos com as coisas do mundo … esse mundo competitivo, interesseiro, traiçoeiro.
A paternidade tem algo mágico, que nos induz a tentar resgatar no coração este sentimento que, na maioria das pessoas já se perdeu.
Em outros, essa sensação pode vir de outras formas, podendo ser algo que nem mesmo se pensou ou verbalizou.
Ainda em outros, essa sensação pode surgir na vida de outros que,dadas suas experiências de vida, jamais se imaginou que isso de fato pudesse existir.Inebriar-se no universo da paternidade e usufruir de todas as possibilidades divinas que o contexto e momento nos oferece é algo sem medida.
Há muitas sensações intrínsecas que somente compreendemos quando pais também o somos.
O pensamento nos leva a evadir no tempo, e voltar no universo e cenário de nossa infância, em momentos da imaginação que ficaram vagos, remotos e escondidos na infância, a ponto de imaginarmos o amor que nos foi dado por nossos pais, com sua disponibilidade infinita de dedicação para suportar, no silêncio, inúmeras noites de sono mal dormidas, privações das mais distintas formas…

Campinas – Bairro Ponte Preta

Um dos bairros mais antigos de Campinas, que vem se modernizando nos últimos anos com a expansão imobiliária.
O bairro que antes era tranquilo, agora já enfrenta (em alguns momentos) um ligeiro congestionamento nos horários em que as pessoas vão e retornam do trabalho. Algo perceptível na Ângelo Simões, Saudade e Abolição. Mesmo assim, a tranquilidade pode ainda ser notada em ruas como Afonso Pena, Henrique Dias…
Com seus moradores mais antigos é possível conhecer mais detalhes, contos e histórias do bairro. Pessoas que veem hoje as mudanças naturais que o bairro vem passando, m as que não trocariam jamais de endereço.
Há algumas décadas o bondinho era o principal veículo que unia o centro ao Cemitério da Saudade. Junto à entrada deste, podemos ver uma homenagem de Campinas aos soldados que entregaram suas vidas na Revolução de 32. A revolução é um marco para o Estado, tanto que isto é sempre oficialmente lembrada no calendário civil do Estado. Trata-se do feriado de 09 de julho. Uma homenagem aos combatentes.
Em conversas com antigos residentes da Rua Abolição … muitas lembranças e casos. Contos de jovens que, durante os vários ciclos e fases da ditadura militar, eram clinicamente diagnosticados como loucos e levados para o Sanatório Santa Isabel, simplesmente por serem considerados subversivos ao regime at&e acute; então vigente. O prédio foi desativado durante um bom tempo. Depois foi albergue para moradores de rua. Hoje faz parte do condomínio residencial Pateo Abolição. Passou por uma considerável reforma, tendo sua fachada preservada. Agora o mesmo se encontra incorporado ao condomínio e é, naturalmente, privado. Ainda na Abolição, muita conversa era trocada na Padaria Santo Antônio, na barbearia do Seu Zé e no Bar Canindé. Neste reduto, de praxe, podia se fazer uma fezinha com o jogo do bicho. Hoje, isso tudo acabou. E só ficou nas lembranças de quem conta.
Para a comodidade dos comerciantes locais, podia se fazer a contabilidade ali mesmo, sem a necessidade de ir ao centro, o que, naturalmente, tinha outras opções. Isso podia ser feito no Escritório Contábil São Manoel.
Mudando de rua, indo para a Saudade, vemos a religiosidade presente numa das maiores Igrejas de Campinas, a de Santo Antônio. Sempre cheia aos domingos, a mesma tem um movimento atípico de fiéis e visitantes uma vez por ano, o que é bem além de sua rotina e do calendário litúrgico convencional. Isso ocorre em junho, na data do Padroeiro. É um número expressivo de devotos que visitam a mesma com vários propósitos de alcançar graças, em especial a do casamento. Outro ponto nesta rua e que não existe mais é o Instituto Adolfo Lutz, produtor de vacinas. Neste local temos hoje o moderno prédio da SANASA.
Duas escolas de mesmo nome havia na Saudade: o Colégio Dom Barreto. O particular está em pleno funcionamento de suas atividades. O estadual não existe mais no local.
Durante um bom tempo, e especialmente aos domingos, era comum se comprar marmitas das irmãs. Naquela época, as pessoas levavam marmitas de alumínio de casa, e elas voltavam cheias de comida para o almoço dominical, com um tempero especial que valia a pena.
Na parte do misticismo, havia uma benzedeira muito famosa na região, que morava próxima à ponte em que começa a Avenida Ângelo Simões. Dona Dioma, como era conhecida, tinha poderes adicionais com suas orações. Era uma benzedeira que atraía gente de todas as partes da cidade e de outros municípios. Curava muitos males que a medicina nem sequer prescrevia.
Quanto à boemia, isso não mudou. Alguns bares até fecharam e outros abriram, mas esta essência do bairro se manteve, e é uma marca registrada. Um bar que é muito conhecido tanto pelos nostálgicos quanto saudosistas é o Canindé, que hoje só resta na memória. Por outro lado, existem os tradicionais que continuam a todo vapor, como Adega Santo Antônio (de influência portuguesa, com bandeira de Portugal e imagem de Nossa Senhora de Fátima – para quem não souber: a padroeira dos lusitanos); o Vadico (reaberto e restaurado pelo filho do mesmo recentemente); o Soares e outros mais… A lista aqui é longa e considerável.
Uma curiosidade aos leitores que não conhecem Campinas… A Ponte Preta – que é o maior e mais popular clube de futebol de Campinas – não fica no bairro que leva o mesmo nome. O clube fica no Jardim Proença.
Conhecer o bairro da Ponte Preta é algo que vale a pena. É um bairro cheio de peculiaridades, com presença significativa na história de Campinas. O bairro tem incontáveis pontos positivos. A ideia aqui é somente exaltar a região, que tem vastas qualidades e merece uma visita detalhada e com tempo. Sugiro que os interessados em saber mais sobre a cidade façam o mesmo.

Rua Barão de Jaguara – Campinas

Falar da Rua Barão de Jaguara é contar a história e essência de Campinas.
É umas principais e mais antigas ruas da cidade.
Há dois séculos, no período da monarquia, ela já teve outros dois nomes.
Já se chamou Rua de Cima e também Rua da Direita.
Já no início da República, exatamente no ano que começou a mesma, ela passou a ser a Rua Barão de Jaguara e se manteve até hoje.
A sua localização no centro da cidade foi algo que a fez estar envolvida com os eventos principais que transcorreram na cidade.
Em outras palavras, era onde as coisas mais importantes aconteciam passado.
Ela já foi sede da Câmara Municipal, e foi o primeiro endereço campineiro a receber energia elétrica.
Para as pessoas que iam ao centro e chegavam das regiões de Jundiaí, São Paulo, Sorocaba… Passar pela mesma era uma rota natural.
Sempre muito movimentada, seja por carros de boi, cavalos, simples e/ou suntuosas charretes no período mais antigo; seja por automóveis ao longo da história, desde a era fordista até os dias atuais.
Descendo a rua à partir do seu início, temos a Praça José Rodrigues, onde começa também a Rua Proença, que vai para outro sentido da cidade.
Bem ainda no começo, temos o Colégio Ave Maria, de educação religiosa e católica. Na sua igreja, à parte do colégio, as pessoas podem visualizar uma imagem bem bonita e protetora de Nossa Senhora das Graças, que fica voltada para a rua. Agregado ao colégio há ainda irmãs de caridade vivendo no mesmo local. Elas são responsáveis pelas atividades educacionais, religiosas e sociais.
Um pouco mais adiante, temos a Casa de Santa Ana. Este prédio foi criado pela Igreja na época do Vargas, década de 30, com a ideia de ser um abrigo para meninas carentes. Naquela época, o prédio era conhecido como Associação do Asilo Santa Ana, e ensinava diversos trabalhos domésticos às suas alunas, como culinária, artesanato, corte e costura… Terminados os cursos, havia em encaminhamento destas meninas para trabalharem em casas de família da cidade, escolas, hospitais… Ao longo de sua história, aconteceram algumas mudanças, no qual foi dado ênfase também a outros grupos específicos de pessoas necessitadas e carentes, mas o local sempre manteve sua vocação, focada na caridade, integração social e auxílio aos mais necessitados.
Descendo um pouco mais a rua, chegamos ao primeiro largo a o qual esta rua faz parte: Largo do Pará. Em conversas com as pessoas mais antigas, consta que neste local nascia o Rio Tanquinho, e que até o final da década de 20, o nome desta praça fazia jus ao nome do seu rio. Era o Largo do Tanquinho. Este rio ia descendo nesta rua, passando pela Dr. Quirino (Rua do meio), Luzitana (Rua de Baixo), Avenida Anchieta (…), para depois, muito mais adiante, desaguar no Rio Anhumas. Hoje isso não é percebido pelos moradores, pois ele foi coberto e canalizado em parte do seu curso inicial.
Seguindo a rua após o cruzamento com a Avenida Moraes Sales, há um local muito interessante para se conhecer: Galeria Barão Velha. Neste local, recentemente reformado, podem ser vistos os primeiros conceitos e tendências comerciais de agrupamento de lojas na cidade. Atualmente, numa escala bem maior, conhecemos isso como shopping, mall… Os mais saudosistas, certamente, têm incontáveis histórias a respeito deste local, pois era um ponto de encontro de muita gente. No local, já existiu até um cinema, hoje desativado. Trata-se do Cine Paradiso. Havia também um atrativo a mais neste local, que era a orquestra de moças. As mesmas eram regidas por uma violinista francesa, que segundo consta, era de muito renome e famosa, o que aumentava ainda mais o movimento. Esta admiração por algumas das moças da orquestra já rendeu até casamento. Hoje, este local está em pleno funcionamento, com lojas de vários segmentos.
Na esquina com a Ferreira Penteado, havia a Farmácia Merz, com fundação datada de 1910. Algo interessante na sua fachada é uma serpente, que é o símbolo muito conhecido aos profissionais da área da Saúde. Segundo fontes levantadas, seria um Esculápio, com figuras humanas e leões.
Seguindo a ordem natural de descida da rua, temos o Mercado Campineiro. Este merece uma crônica exclusiva, para que se possa detalhar uma infinidade de comércios interessantes que estão no mesmo. É um excelente local para se frequentar.
Muito próximo ao mercado, temos a Galeria Trabulsi, também ligada com este conceito de agrupamento de lojas diversas. Lembro que o elevador da mesma foi, até muito recentemente, no estilo à moda antiga, no qual a porta ainda era de grades sanfonadas, ao invés da porta automática. Tinha ainda um ascensorista – algo cada vez mais raro – para conduzir as pessoas aos diversos andares deste prédio. Nesta Galeria há uma passagem direta para a rua Dr. Quirino. Esta via tem muita circulação de pessoas na hora do almoço.
Passando a Rua Conceição, havia a Continental. Esta era conhecida também como Caderneta de P oupança. Nesta época, se podia tranquilamente sair deste local com dinheiro no bolso. Neste trecho da rua há hoje algumas livrarias no entorno, que recebem bastantes leitores de livros que queiram comprar, presentear ou simplesmente folhear novos livros para ver as tendências e lançamentos do mercado literário.
Na esquina com a César Bierrembach, temos o primeiro arranha céu da cidade, com sete andares. Hoje funciona no local um Hotel, que foi recentemente reformado e está em plena atividade, bem como um cartório de registro civil.
Chegamos ao Largo do Rosário. É aí que os protestos, passeatas, comícios, apresentações populares e outros foram e são realizados. É simplesmente o coração da cidade.
Nesta região, começa a crescer o reduto da bohemia, que passou por várias modalidades e segmentos at&eacut e; os dias atuais, com uma lista de bares, cafés e restaurantes que existiram e vigoraram durante um bom tempo, e em períodos/décadas bem distintos. Uns já se foram, outros ainda funcionam e novos virão. Aliás, assim como a vida, à noite e a bohemia têm os seus ciclos.
Aos pontos extintos, destaque para o Bar Cristofani. Este, em especial, é muito mencionado nas crônicas de Campinas. Na linha dos extintos, havia também o Taco de Ouro, reduto dos sinuqueiros e jogadores que viravam a noite com suas apostas, seus vícios. Nos casos mais extremos, consta que, mediante as apostas, muitos voltavam ricos para casa, assim como outros perdiam tudo e entregam até a família. Os relatos deste local são mais recentes, à partir do final da década de 50. Ainda extinto e contemporâneo a este, havia o Café do Povo, ponto de muita conversa regada a café, numa época intermediária entre o final da era Vargas e o período do governo Figueiredo.
Para os pontos ainda em pleno funcionamento, destaque nesta região para o Restaurante Éden Bar com o famoso Bife à Parmegiana. Uma boa pedida no almoço. Além disso, temos o famoso Café Regina, que leva este nome devido ao prédio no qual o mesmo está localizado. Este funciona desde 1952, conforme sua própria fachada anuncia.
Ele passou por várias reformas ao longo da história, e se moderniza a cada uma delas. É o mais popular da cidade.
Este ponto do café, juntamente com a Padaria Orly, que fica em frente ao mesmo, já foram decisórios nos rumos políticos da cidade ao longo de várias gerações, uma vez que eram os locais de encontros dos vários políticos influentes da cidade. Regado a uma xícara de café coado na hora, muitas articulações políticas eram feitas e discutidas neste circuito. Além disso, outros grupos, não somente de políticos iam.
Numa época em que não havia internet e celular, esta região era um local em que grupos de áreas profissionais distintas se encontravam para discutir assuntos diversos como cultura, filosofia, história… E hoje, mesmo com tanta tecnologia se mantem este ritual, com algumas particularidades. É o serviço de encontro natural que os cafés proporcionam em qualquer cidade. Porém, devido uma série de outros fatores, dentre eles destaque especial para a concorrência com novos cafés e padarias da cidade, este movimento de pessoas é feito também em outros pontos da cidade. Isso seria uma diferença para os tempos passados, em que as opções da cidade se concentravam quase que especificamente neste meio.
Chegamos ao Largo do Carmo, que leva este nome em função da Igreja de Nossa Senhora do Carmo que fica também no local. É uma praça que já passou por praticamente todos os ciclos importantes da história da cidade. Funciona nela uma feira de artesanatos e variedades durante as quintas e sextas feiras. Nela está também o Jóquei Clube, onde se pode apostar em corridas de cavalos. Ir neste local é voltar no tempo.
Terminando o percurso, chegamos ao final, na esquina com a Barreto Leme.
A rua acaba aqui, mas a história não. Ela é contínua e viva.
Ao longo deste texto, alguns pontos foram citados, outros esquecidos, outros ainda omitidos. Novos pontos surgirão, outros serão fechados, o que é algo natural em qualquer cidade. Mas apesar de todas as mudanças e de muito tempo que já se passou , desde o seu primeiro nome (Rua de Cima) até os dias atuais, acredito que ela ainda represente muito da essência desta cidade. Preservar os pontos que restam desta rua é algo importante. É conservar uma enciclopédia viva de Campinas.

Falando de fé

Viajar no desconhecido.
Incertezas que consomem o coração de quem vai rumo ao horizonte…
Ao longo da história, por vários momentos, há relatos dessa dúvida com o que nos espera.
No período de retorno do povo judeu à Terra Prometida, Moisés confronta-se com o medo, mas seguiu em frente com sua fé para que o Mar Vermelho se abrisse.
No período das navegações, início da Idade Moderna, um receio geral existia nas pessoas por estarem desbravando o mundo além do mar. Este momento foi relatado nos Lusíadas, obra de Camões.
O medo tinha até um nome: o gigante Adamastor.
Hoje não é diferente, a busca de novos caminhos, de novas alternativas, sempre consome no universo humano um certo receio, dúvida.
No nosso cotidiano, este sentimento somente muda de nome, endereço, circunstância e fatores afins…
O novo é sempre agregado de dúvidas.
Pessoas mais abertas às mudanças acabam sofrendo menos com a tomada de decisão, porém o sofrimento delas “costuma” ser maior, naturalmente, com as consequências de suas ações, que nem sempre são associadas ao êxito.
Por outro lado, a pessoa cautelosa sofre mais com a indecisão que com a ação.
De modo geral, todos sofrem de alguma forma com as decisões rumo ao desconhecido.
E olhando nos arredores do cotidiano de conhecidos, as histórias alheias de insucesso servem também como fatores negativistas à nossa tomada de decisão.
Algo até natural, posto que a vida tem muito mais derrotas que vitórias.
Se observarmos a vida ao longo de toda a humanidade, acredito que todos os grandes personagens que se dignificaram por suas decisões, tenham partido, na maioria das vezes, de condições não tão propícias para realizarem as suas grandes mudanças.
No estudo de grandes homens que traçaram os rumos de nossa história, tenho percebido que o medo (algo inevitavelmente presente na essência do homem) sempre habitou o universo e a mente destas pessoas.
Entretanto, muito supostamente, eles todos tiveram algo em comum, que é a fé.
Fundamentalmente, esta não exige que nada esteja a seu favor. Ela somente necessita que você a tenha e a consuma integralmente, e que todos os seus atos sejam condizentes com o comportamento de uma pessoa que o tempo todo acredita que algo vai dar certo.
Com este conceito, o impossível começa a ser possível, caso haja, obviamente, uma autorização maior e superior da vontade de Deus.
Por mais dedicado que sejamos nas nossas ações, a decisão final é sempre com ele.
Aceitar, pois, que há um plano de Deus para todos nós, torna a vida mais leve.

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